Pesquisa Ipsos revela o que brasileiros pensam sobre feminismo e masculinidade

O feminismo faz mais mal do que bem à sociedade? Esta foi uma das perguntas feitas pela Ipsos a adultos de 30 países durante a pesquisa “Dia Internacional da Mulher 2022”. Entre os brasileiros, 23% consideram que o movimento traz mais prejuízos que benefícios. O índice está abaixo da média global (26%). A Rússia atingiu o maior índice de concordância com a afirmação (42%) e a Holanda, o menor (12%).

“Ainda que seja uma minoria, ter cerca de um quarto da população acreditando que o feminismo traz mais prejuízos que benefícios é preocupante, ainda mais em um país como o Brasil, que registra tristemente números horríveis em relação a violência contra mulheres”, analisa a gerente de Public Affairs da Ipsos no Brasil, Priscilla Branco.

“O feminismo vem sendo bastante discutido nos últimos anos, o que é positivo, mas muitas dessas discussões acabam caindo num contexto de polarização. O termo em si ainda é controverso para muitas pessoas, mesmo para algumas que se dizem progressistas. Nós avançamos na luta pela igualdade, mas ainda há um caminho a percorrer”, comenta Priscilla.

Pouco impacto

Embora tenham registrado expressiva visão crítica ao movimento, os brasileiros estão entre os que menos acreditam que o feminismo provocou perdas políticas, econômicas e sociais para os homens: apenas 13% acham isso, o segundo menor índice entre as 30 nações pesquisadas, empatado com França e atrás apenas da Itália (12%). A percepção de que o sexo masculino perdeu privilégios devido ao feminismo é mais forte entre poloneses (38%) e chineses (28%).

Quando o assunto é desigualdade de gênero, 12% dos brasileiros não reconhecem que ela existe de fato, índice abaixo da média global (18%), mas maior que Japão (5%) e Bélgica (11%), que registraram os menores índices. A percepção de que não existe um desequilíbrio de oportunidades e privilégios entre os gêneros é maio na Arábia Saudita (35%) e na Malásia (28%).

Masculinidade sob ameaça?

Na mesma pesquisa da Ipsos, os entrevistados foram questionados se a masculinidade tradicional está ameaçada hoje em dia. Mais de um em cada quatro brasileiros (27%) acreditam que, sim, os valores masculinos tradicionais estão sendo mais questionados atualmente. Esta percepção é mais acentuada entre os russos (55%) e os húngaros (42%) e menos presente entre italianos (16%), turcos (19%) e holandeses (19%).

Sobre a pesquisa

A pesquisa “Dia Internacional da Mulher 2022” foi realizada entre os dias 21 de janeiro e 4 de fevereiro. Foram entrevistadas 20.524 pessoas on-line, sendo aproximadamente 1.000 no Brasil, com idades entre 16 e 74 anos. A margem de erro é de 3,5 pontos percentuais.

Além do Brasil, integram a pesquisa: África do Sul, Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Bélgica, Canadá, Chile, China, Colômbia, Coreia do Sul, Espanha, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Holanda, Hungria, Índia, Itália, Japão, Malásia, México, Peru, Polônia, Romênia, Rússia, Singapura, Suécia e Turquia.

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